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Tireoide: quando menos é mais

Endocrinologistas explicam a necessidade de reduzir ultrassom e PAAF

25 de Maio: Dia Internacional da Tireoide

 

Maio é o mês da tireoide, e a campanha de awareness da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP)  tem o lema “Quando Menos é Mais”.

“Buscamos trazer informações acerca de exames clínicos como o ultrassom e a punção de tireoide, por exemplo, que estão sendo amplamente realizados quando, na verdade, deveriam ser indicados para casos específicos. Da mesma forma, nem todo câncer de tireoide precisa ser operado e os tratamentos com radioiodoterapia também devem ser individualizados, ou seja: menos é mais”, declara Dra. Rosália Padovani, endocrinologista da diretoria da SBEM-SP.

Abaixo, seguem os principais tópicos relacionados ao tema da campanha.

Quando menos é mais

Nem todo nódulo deve ser puncionado. A indicação de punção por agulha aspirativa fina (PAAF) deve ser baseada nas características ultrassonográficas e no tamanho dos nódulos e estes devem ser avaliados individualmente. Nódulos pequenos e sem características suspeitas ao ultrassom não apresentam indicação de punção. Indicação de PAAF sem observação destes critérios podem gerar desconforto ao paciente e custos para o sistema de saúde.

O ultrassom de tireoide não deve ser um exame de rotina. Alguns estudos estimam que o ultrassom de alta resolução pode detectar nódulos de até 2 mm, presentes em até 70% da população, na grande maioria benignos. O rastreamento por ultrassom aumenta os custos com a saúde, gera um estresse dispensável ao paciente e, muitas vezes, infelizmente, pode levar a uma cirurgia desnecessária e associar-se a complicações. As sociedades médicas do mundo todo, incluindo a SBEM-SP, são consensuais ao recomendar que o ultrassom de tireoide deva ser solicitado apenas aos pacientes com nódulo palpável ou com outras alterações detectadas no exame físico ou como forma de complementação diagnóstica.

Radioiodoterapia deve ser cada vez mais individualizada.  A radioiodoterapia pode ser uma opção de tratamento para alguns casos de hipertireoidismo causados por adenoma tóxico ou bócio multinodular tóxico, sendo também utilizada no tratamento de casos selecionados de pacientes com carcinoma diferenciado de tireoide e, de acordo com a tendência dos principais guidelines, a indicação da radioiodoterapia deve ser cada vez mais individualizada.

Nem todo câncer precisa ser operado. Para os pacientes com diagnóstico de nódulos benignos, apenas a observação e o seguimento clínico são indicados. Em geral, recomenda-se a realização de um novo ultrassom dentro de seis a 12 meses. Se permanecer inalterado, o seguimento pode ser anual e, posteriormente, dependendo de cada caso, a cada dois ou três anos. A reavaliação com punção com agulha fina (PAAF) e exame citológico só será recomendada para nódulos que apresentarem aumento do volume ou alterações das características ultrassonográficas.

O hipotireoidismo no idoso deve ser cuidadosamente avaliado. O hipotireoidismo é freqüentemente observado em idosos, e a tireoidite crônica autoimune (tireoidite de Hashimoto) é a causa mais comum. O hipotireoidismo se caracteriza pelo aumento dos valores do hormônio estimulante da tireoide (TSH), acompanhado por redução da tiroxina livre (T4L) e da triiodotironina livre (T3L). Já o hipotireoidismo subclínico (HSC) é caracterizado pelo aumento dos valores de TSH com níveis normais de T4L. Nos casos de hipotireoidismo clínico, a terapia de reposição com L-T4 (levotiroxina) é aconselhável e necessária, já que esta condição se associa a um aumento na incidência de eventos cardiovasculares, assim como a um aumento global da mortalidade. No entanto, quando a insuficiência tireoidiana é leve (TSH<10mUI/L), um maior cuidado na abordagem diagnóstica e terapêutica é necessário, especialmente em pacientes idosos. Nestes casos, nem sempre o tratamento é recomendado. O objetivo do tratamento e o equilíbrio entre riscos e benefícios podem mudar dependendo das características clínicas de cada paciente.

Testes moleculares devem ser indicados em casos específicos – Os testes moleculares podem ser considerados uma opção para definir melhor o risco de malignidade dos nódulos com citologia indeterminada. Estes, certamente, não vieram para substituir nenhuma outra técnica como ultrassom e punção com agulha fina, mas sim para somar informações e, portanto, devem ser solicitados para casos selecionados.

 

 

Sobre a SBEM-SP

A SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo) pratica a defesa da Endocrinologia, em conjunto com outras entidades médicas, e oferece aos seus associados oportunidades de aprimoramento técnico e científico. Consciente de sua responsabilidade social, a SBEM-SP presta consultoria junto à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, no desenvolvimento de estratégias de atendimento e na padronização de procedimentos em Endocrinologia, e divulga ao público orientações básicas sobre as principais doenças tratadas pelos endocrinologistas.

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