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Peptídeos: cuidado com promessas na internet

A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” colocou os peptídeos no centro das discussões nas redes sociais. Impulsionadas pelo sucesso de medicamentos já estudados e aprovados, diversas substâncias passaram a ser divulgadas na internet com promessas de emagrecimento, ganho de massa muscular, rejuvenescimento e melhora do metabolismo. Muitas delas, porém, ainda não apresentam evidências suficientes de segurança e eficácia.

Segundo a Dra. Andressa Heimbecher, médica endocrinologista e metabologista da SBEM-SP, o fato de uma substância ser classificada como peptídeo não significa que ela seja automaticamente segura, eficaz ou adequada para uso terapêutico.

O que são peptídeos?

Peptídeos são moléculas formadas por aminoácidos que podem corresponder a fragmentos de proteínas ou a proteínas completas. No organismo, participam de diversas funções, como crescimento celular, liberação de hormônios, comunicação entre células e mecanismos de morte celular programada.

Alguns hormônios conhecidos são peptídeos, como a insulina e o hormônio do crescimento. Também pertencem a esse grupo medicamentos como os agonistas do receptor de GLP-1 e outras moléculas com ação semelhante. A semaglutida e a tirzepatida, por exemplo, são moléculas peptídicas.

O sucesso desses medicamentos, segundo a especialista, contribuiu para uma associação equivocada entre os termos “peptídeo”, “emagrecimento” e “segurança”. No entanto, nem todo peptídeo é medicamento.

Para que uma substância seja desenvolvida como medicamento, é necessário passar por diferentes etapas de pesquisa clínica. Os estudos avaliam inicialmente sua segurança e, posteriormente, se ela apresenta o efeito esperado.

“A gente sempre fala em segurança e eficácia, nessa ordem. Primeiro é preciso demonstrar que a substância é segura; depois, comprovar que ela faz aquilo que se propõe a fazer”, explica a Dra. Andressa.

Promessas de resultados rápidos exigem cautela

O risco está no uso de substâncias divulgadas ou comercializadas como “peptídeos terapêuticos” sem que tenham passado adequadamente pelas etapas necessárias de pesquisa. Segundo a endocrinologista, muitas substâncias que circulam na internet sequer foram submetidas aos primeiros testes de segurança.

Por isso, a população deve ter cautela diante de produtos anunciados nas redes sociais com promessas de emagrecimento rápido, rejuvenescimento, ganho de massa muscular ou melhora do metabolismo, especialmente quando não há apresentação clara de estudos científicos e aprovação pelos órgãos reguladores.

O uso de medicamentos ou substâncias com finalidade hormonal ou metabólica deve contar com indicação médica individualizada e ser baseado em evidências científicas. Produtos apresentados como novidades “revolucionárias” ou associados a resultados rápidos merecem atenção.

 “Ser um peptídeo é apenas uma característica da estrutura da molécula. Isso, por si só, não comprova benefício, não garante segurança e não transforma uma substância em medicamento”, conclui a endocrinologista.