NOTÍCIAS

Obesidade infantil: endocrinologista da SBEM-SP destaca papel dos medicamentos no tratamento de adolescentes

Médica traz evidências recentes e diretrizes internacionais sobre o manejo da doença.

A obesidade infantil é um dos maiores desafios de saúde pública do século 21, e o cenário brasileiro preocupa. Estimativas da World Obesity Federation apontam que, já em 2035, mais de 20 milhões de crianças e adolescentes no país estarão acima do peso.

O tema foi destaque durante o Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia (CBAEM 2025), realizado em Gramado. A Dra. Cristiane Kochi, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo (SBEM-SP), apresentou a aula “Tratamento farmacológico de crianças e adolescentes com obesidade”, trazendo dados recentes e diretrizes internacionais sobre o manejo da doença.

Segundo a especialista, o tratamento clássico da obesidade infantil continua sendo a mudança de estilo de vida, com reeducação alimentar e estímulo à prática de atividade física. Porém, nos casos de obesidade grave, a taxa de sucesso desse modelo não ultrapassa 15% em grandes centros.

Em 2023, a Academia Americana de Pediatria passou a recomendar o uso de medicamentos a partir dos 12 anos, para adolescentes que não apresentam resposta ao tratamento convencional após seis meses. No Brasil, a ANVISA já aprovou dois medicamentos para essa faixa etária: a liraglutida e a semaglutida, ambos agonistas do GLP1.

  • Liraglutida (3mg/dia): reduziu em 5% o índice de massa corporal (IMC) em 43% dos adolescentes estudados, contra 18,7% no grupo placebo.
  • Semaglutida (2,4mg/semana): promoveu perda de 16% do IMC, com cerca de 45% dos pacientes deixando o diagnóstico de obesidade.
  • Os efeitos adversos mais comuns em ambos os casos foram gastrointestinais.

Nos Estados Unidos, também há aprovação do uso de fentermina/topiramato para adolescentes de 12 a 17 anos, com resultados que variaram de 8% a 10% de redução do IMC, mas com efeitos colaterais relevantes, como colelitíase, depressão e ideação suicida. Outro fármaco liberado pelo FDA é a setmelanotida, indicada para formas raras de obesidade monogênica, incluindo mutações nos genes LEPR, POMC, PCSK1 e a síndrome de Bardet-Biedl.

“A obesidade é uma doença crônica, complexa e recidivante. O tratamento deve ser sempre individualizado. Em alguns pacientes, a terapia farmacológica pode ser indicada, mas nunca deve substituir a mudança de estilo de vida”, destaca a Dra. Cristiane Kochi.

Com esse posicionamento, a SBEM-SP reforça seu compromisso em promover atualização científica e ampliar o debate sobre estratégias seguras e eficazes para o enfrentamento da obesidade infantil e adolescente no Brasil.

Sobre a SBEM-SP

A SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo) pratica a defesa da Endocrinologia, em conjunto com outras entidades médicas, e oferece aos seus associados oportunidades de aprimoramento técnico e científico. Consciente de sua responsabilidade social, a SBEM-SP presta consultoria junto à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, no desenvolvimento de estratégias de atendimento e na padronização de procedimentos em Endocrinologia, e divulga ao público orientações básicas sobre as principais doenças tratadas pelos endocrinologistas.

Serviço:

http://www.sbemsp.org.br

https://www.instagram.com/sbemsp

bit.ly/PODCASTSBEMSP

https://www.youtube.com/c/SBEMSP