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Endocrinologistas alertam para uso inadequado do lugol

 

O lugol é uma solução concentrada de iodeto de potássio que tem mais de 6 miligramas de iodo por gota. Entretanto, a quantidade diária necessária para o organismo humano é de apenas 100 a 250 microgramas, conforme alertam endocrinologistas da SBEM-SP.

“Estão afirmando nas mídias sociais que temos insuficiência de iodo, sendo recomendado a ingestão do lugol, numa dose de até 9 gotas por dia. E queremos esclarecer que não há estudos que demonstrem que o lugol tenha propriedade de tratamento para câncer, antitumoral, contra fibrose cística e infecções ou qualquer ouro tipo de patologia. O iodo só é importante para nosso organismo para abastecer a tireoide como uma matéria-prima, para que sejam produzidos os hormônios da tireoide”, afirma o Dr. José Augusto Sgarbi, presidente da SBEM-SP.

Por que precisamos de iodo?

O iodo é um micronutriente muito importante para formação de hormônios da tireoide e, assim, essencial ao nosso organismo. A ingestão do iodo ocorre através da alimentação, porém, como o solo e os alimentos são pobres em iodo, o sal de cozinha é enriquecido com o nutriente para que possamos ter a ingestão adequada às necessidades do nosso organismo para a produção dos hormônios da tireoide. O Ministério da Saúde do Brasil monitora essa quantidade de iodo no sal.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a ingestão adequada de iodo em crianças acima de 6 anos e adultos varia de 100 microgramas a 150 microgramas por dia e, durante a gestação, de 150 a 250 microgramas diariamente. “Essa quantidade ideal pode ser encontrada numa refeição padrão brasileira”, explica Dr. Sgarbi

O médico também ressalta a importância de cada gestante conversar com seu médico, pois, durante a gestação, as necessidades de iodo aumentam em 50% por causa do aumento da produção de hormônios tireoidianos pela mãe afim de suprir o feto de hormônios tireoidianos, fundamentais para o desenvolvimento neurológico da criança. A deficiência de iodo materna ou fetal pode levar à redução de oferta de hormônios tireoidianos nas primeiras 12 semanas da gestação, o que pode causar prejuízos irreversíveis ao desenvolvimento cerebral, com perda cognitiva, redução do QI e até retardo mental. “Mas mesmo que haja necessidade de reposição, ela não deve ser feita com o lugol, pois essa solução tem concentração excessiva de iodo para o ser humano. Existem vitaminas específicas para uso na gestação com a quantidade de iodo adequada”.

Quando há a ingestão excessiva de iodo, ocorre um bloqueio da tireoide e seus mecanismos reguladores, e a produção dos hormônios tireoidianos é interrompida.

“O uso do lugol conforme tem sido espalhado nas redes sociais não deve ser feito de forma alguma”, finaliza o endocrinologista.