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Como identificar os sintomas de diabetes no bebê e fazer monitorização

Estudo em Brasília mostra aumento de diabetes tipo 1 (DM1) de 3% em crianças e adolescentes desde 1970. Só na Europa, uma pesquisa indica que o número de crianças diabéticas menores de cinco anos pode dobrar até 2020, em comparação com 2005. Outros dados apontam que 4% de todas as crianças diagnosticadas com DM1 têm menos de dois anos de idade.

Como saber se o bebê apresenta sintomas?

Em lactentes ou crianças que ainda usam fraldas, os sintomas apresentados são: irritabilidade, muito choro e sede excessiva. Bebês que se alimentam exclusivamente do leite materno querem mamar toda hora – assim como os que fazem uso da mamadeira – para matar a sede. A troca de fraldas fica mais frequente, e surge a dermatite de fralda, ocasionada pela maior incidência de fungos na região genital, causando assaduras que não se resolvem de maneira normal como nas crianças não diabéticas. “A falta de ganho de peso também é um dado importante”, afirma Dr. Marcio Krakauer, da SBEM-SP.

E como diagnosticar?

Durante consulta de rotina ou visita a um pronto socorro por causa de um quadro viral, por exemplo, que apresenta vômito e diarreia, basta o médico pedir um exame de glicemia capilar e unir o resultado ao histórico dos sintomas acima descritos para diagnosticar o diabetes.

Como deve ser feita a monitorização em crianças abaixo de 5 anos?

É feita da mesma forma como em crianças maiores, ou seja, com exame da glicemia capilar frequente e hemoglobina glicada a cada 3 meses. Além disso, com exames que avaliam risco de doença da tireoide e doença celíaca. Um parâmetro importante é a curva de crescimento da criança, que deve estar compatível com a faixa etária.  Monitorar a glicemia continuamente com os sensores de glicose intersticial é essencial.

A terapêutica ideal nas crianças com menos de quatro anos é a utilização da bomba de infusão, uma vez que elas precisam de doses muito pequenas de insulina, que as seringas comuns não conseguem prover. A grande dificuldade é que essas crianças pequenas têm uma sensibilidade muito grande à insulina, ou seja, uma unidade de insulina é capaz de diminuir a glicemia capilar entre 200 a 350mg. Por isso que as quantidades aplicadas, normalmente em valores decimais, geralmente menores que 0,5U, só podem ser obtidas de maneira satisfatória com uso da bomba de infusão.

A bomba com sensor tem vantagem grande por aliar a facilidade de aplicar doses pequenas de insulina com a monitorização contínua da glicemia, o que pode ajudar quanto à grande queixa dos pais, que é sempre a preocupação com o risco de hipoglicemia durante a madrugada. Muitas crianças utilizam o free style libre sensor de glicose intersticial que não necessita calibração, já liberado para crianças acima de quatro anos. “Nesta faixa etária, não há dúvidas de que bombas de insulina e monitorização contínua sejam o melhor tratamento”, completa Dr. Krakauer.

Para quem não tem condições de fazer uso dessas bombas, as insulinas de eleição são as insulinas análogas basais (Glargina/Lantus, Detemir/Levemir e mais recentemente Degludeca/Tresiba) aplicando as insulinas rápidas (Lispro/Humalog, Aspart/Novorapid, Glulisina/Apidra), disponíveis também em alguns estados brasileiros no serviço público. Quando isso não é possível, utiliza-se a insulina NPH, (que é uma insulina intermediária cujo controle glicêmico é mais difícil de ser feito), aplicando as insulinas análogas rápidas às refeições.

O ideal é o uso de canetas aplicadoras de 0,5 UI, porém nem todas as marcas estão disponíveis para venda no Brasil.

A mãe de uma criança diabética tem a vida completamente transformada. Fica muito difícil trabalhar fora sem montar uma equipe de cuidadores treinados, tanto na escola como em casa, gerando um impacto psicológico muito grande, já que a dedicação é redobrada. “O melhor amigo do diabetes é o conhecimento aliado à informação de qualidade”, finaliza o médico.