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Osso: excesso de micronutrientes pode trazer riscos

A saúde dos ossos depende de uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais, além de uma alimentação adequada ao longo da vida. Nutrientes como cálcio, vitamina D, vitamina K, magnésio e fósforo participam do metabolismo ósseo e são importantes para a manutenção do esqueleto. No entanto, isso não significa que a suplementação desses nutrientes seja necessária para toda a população.

É o que aponta um estudo publicado por pesquisadores brasileiros este ano. Os dados reforçam a importância de avaliar individualmente a necessidade de suplementação e alertam para a ideia de que “quanto mais suplemento, melhor”.

“O consumo excessivo ou inadequado de micronutrientes pode provocar efeitos adversos, inclusive alterações no metabolismo dos minerais e possíveis repercussões cardiovasculares”, afirma o Dr. Sergio Setsuo Maeda, endocrinologista da SBEM-SP.

Entre os nutrientes analisados, o cálcio apresenta evidências robustas de benefício, especialmente para pessoas com baixa ingestão alimentar ou maior risco de osteoporose. Quando a suplementação é necessária, costuma ser indicada em associação à vitamina D. O uso inadequado, porém, pode causar desconforto gastrointestinal, aumento do cálcio no sangue e maior risco de cálculos renais. Mesmo em pessoas que já consomem quantidade suficiente de cálcio pela alimentação, o excesso de suplementação exige cautela.

A vitamina D também apresenta evidências consistentes, e sua combinação com cálcio pode reduzir o risco de fraturas principalmente em idosos e pessoas com deficiência. Doses elevadas, entretanto, devem ser acompanhadas por um profissional de saúde, já que o excesso pode causar aumento do cálcio no sangue, que leva a maior eliminação de cálcio na urina e toxicidade.

Para outros micronutrientes, as evidências sobre os benefícios da suplementação são mais limitadas. A vitamina K participa da saúde óssea, mas os estudos clínicos ainda apresentam resultados inconsistentes e não há evidências suficientes para recomendar seu uso rotineiro com o objetivo de prevenir fraturas. Além disso, ela pode interagir com alguns anticoagulantes, como a varfarina.

O magnésio também é importante para o metabolismo ósseo, mas a prioridade deve ser garantir sua ingestão por meio da alimentação. A suplementação pode ser considerada em pessoas com deficiência ou baixo consumo. Em excesso, pode causar diarreia e desconforto gastrointestinal.

Já a deficiência de fósforo é incomum em adultos saudáveis, fazendo com que sua suplementação seja geralmente reservada a situações clínicas específicas. O consumo excessivo, especialmente por meio de alimentos ultraprocessados ricos em aditivos fosfatados, merece atenção. Em pessoas com doença renal, esse excesso pode favorecer alterações do metabolismo mineral e calcificações vasculares.

Por isso, a principal recomendação é priorizar fontes alimentares de vitaminas e minerais. Leite e derivados, vegetais, leguminosas, sementes, castanhas, peixes e outros alimentos podem contribuir para atender às necessidades nutricionais dentro de uma alimentação equilibrada.

“A suplementação deve ser reservada principalmente para pessoas com deficiência comprovada, consumo inadequado, maior risco nutricional ou condições clínicas específicas”, reforça o Dr. Maeda.

O cuidado com a saúde óssea, portanto, não deve se basear em fórmulas universais. A avaliação individualizada permite equilibrar os possíveis benefícios da suplementação e os riscos associados ao consumo excessivo de micronutrientes.