O ultrassom de tireoide é um exame seguro e indolor. Mesmo assim, não deve ser solicitado como parte de uma avaliação de rotina em pessoas sem sintomas, alterações no pescoço ou fatores de risco específicos.
Isso porque o exame é muito sensível e pode identificar pequenos nódulos, que nunca causariam sintomas ou prejuízos à saúde. Os nódulos de tireoide são comuns, principalmente com o avanço da idade – e a maioria é benigna.
Quando o ultrassom é feito sem uma indicação clínica, pode encontrar alterações sem importância. E com isso, o paciente pode ser submetido a novos exames, consultas, punções e até cirurgias, que talvez não fossem necessárias, e tudo pode gerar muita ansiedade.
Também é importante lembrar que o ultrassom avalia a estrutura da tireoide, mas não mostra se a glândula está funcionando corretamente. Para investigar hipotireoidismo (quando a tireoide produz pouco hormônio) ou hipertireoidismo (quanod a glândula produz hormônio em excesso), o primeiro passo geralmente é a avaliação médica acompanhada de exames de sangue, como TSH e T4 livre.
Por isso, uma alteração hormonal isolada não significa que o paciente precise automaticamente fazer um ultrassom. Na ausência de nódulo palpável, aumento da tireoide ou outra alteração no pescoço, o exame pode não trazer informações úteis. Pessoas com fatores de risco específicos também devem ser avaliadas individualmente. Nessas situações, o exame ajuda a analisar o tamanho e as características do nódulo e a decidir se é necessário apenas acompanhamento ou investigação complementar.
Não pedir ultrassom de rotina não significa deixar de cuidar da tireoide. Significa utilizar o exame quando ele realmente pode ajudar no diagnóstico e orientar uma decisão médica. Na saúde, fazer mais exames nem sempre representa mais proteção.