Prometidos como solução rápida para ganhar massa, definir o corpo e “turbinar” desempenho, os anabolizantes fazem parte de conversas nas academias e nas redes sociais. O problema é que, fora de indicações médicas bem específicas, o uso de esteroides anabolizantes e hormônios para fins estéticos ou de performance é uma prática sem base científica e com riscos imprevisíveis — inclusive graves e fatais.
Em termos simples: anabolizantes são substâncias derivadas da testosterona. Em medicina, a testosterona pode ter indicação, por exemplo, em casos de deficiência comprovada (hipogonadismo) e em situações clínicas determinadas. O que preocupa especialistas é a banalização do uso “off label” para hipertrofia, emagrecimento, “longevidade” e suposta melhora de disposição e vida sexual — um mercado alimentado por desinformação e comércio clandestino.
Por que os riscos são tão altos?
No abuso, costuma-se usar doses muito acima das terapêuticas (5 a 15 vezes maiores) e, não raro, produtos manipulados sem controle sanitário, falsificados ou de origem ilegal. Nesse cenário, não existe “dose segura” nem “acompanhamento” que garanta proteção.
Também é comum a ideia de que fazer “ciclos”, “pirâmides” ou “combinações” reduziria danos. Não há evidência de que essas estratégias diminuam efeitos colaterais, e a associação com outras substâncias (como hormônio do crescimento, hormônio tireoidiano e diuréticos) pode ampliar ainda mais o risco.
Efeitos colaterais: do hormônio ao coração
Entre os efeitos descritos do uso indevido estão supressão das gônadas, infertilidade, ginecomastia (aumento das mamas em homens), acne, calvície e hepatotoxicidade (lesão no fígado). Há ainda alterações psiquiátricas (agressividade, depressão e risco aumentado de comportamento suicida), além de dependência.
No caso das mulheres, podem ocorrer sinais de excesso de andrógenos, como aumento de pelos, engrossamento da voz, aumento do clitóris e alopecia androgênica, alguns com potencial de irreversibilidade.
O sistema cardiovascular é um dos pontos mais sensíveis: o abuso prolongado pode causar hipertrofia do músculo do coração, hipertensão, disfunção cardíaca, arritmias e morte súbita, além de piorar fatores de risco como colesterol (LDL sobe e HDL cai) e favorecer hipercoagulabilidade. Há relatos de maior mortalidade entre usuários quando comparados a não usuários.
Prevenção: como se proteger desse “atalho”
Desconfie de promessas de transformação rápida e de protocolos “prontos” divulgados na internet. Ganho de massa e redução de gordura com segurança dependem de treino bem prescrito, alimentação adequada, sono e acompanhamento profissional. Se você já usa ou pensa em usar, o passo mais seguro é conversar com um endocrinologista para avaliar riscos, sintomas e possíveis consequências — especialmente diante de sinais como queda de libido, alterações de humor, acne intensa, irregularidade menstrual, dor/“caroços” no local de aplicação, falta de ar, palpitações ou pressão alta.
Atalho pode até parecer caminho curto. Na saúde, muitas vezes, é o caminho para uma conta alta demais.
Fonte: SBEM