Quatro sociedades médicas, entre elas a SBEM, uniram-se para assinar uma nota conjunta (leia aqui) manifestando profunda preocupação com a disseminação em redes sociais de falsas informações e recomendações inapropriadas de tratamento hormonal em crianças.
O documento versa sobre a divulgação de conteúdos repetitivos e enganosos que incentivam pais e responsáveis a medirem o pênis de crianças em casa, induzindo-os a um falso diagnóstico de “micropênis”.
Frequentemente, essas postagens vêm acompanhadas de anúncios de terapias hormonais que são vendidas diretamente ao público, sob a infundada alegação de que existe uma “epidemia” de micropênis, algo que na realidade não existe.
A avaliação do comprimento do pênis é um procedimento técnico que exige profissional e instrumentos adequados. Ela deve ser realizada em ambiente clínico apropriado.
O micropênis é uma condição clínica rara e isso é bem conhecido pela medicina. O diagnóstico é complexo e requer avaliação minuciosa por equipe multidisciplinar de especialistas envolvendo pediatras, urologistas, cirurgiões pediatras, endocrinologistas pediatras, geneticistas e outros. Esse diagnóstico não pode ser definido por uma medida isolada do pênis com régua ou fita métrica.
O uso de hormônios na infância é um assunto muito sério e restrito a casos específicos, após investigação profunda. O uso indiscriminado de hormônios ou seu uso sem indicações precisas pode causar danos graves e, muitas vezes, irreversíveis à saúde da criança e do adulto que um dia ele se tornará, incluindo infertilidade futura, alterações de crescimento e alterações hormonais.
As Sociedades Médicas recomendam que qualquer avaliação do desenvolvimento genital masculino na infância e adolescência seja realizada exclusivamente por médicos especialistas, utilizando técnicas adequadas e em ambiente clínico apropriado e respeitoso.
Fonte: SBEM