Ausência do iodo pode causar problemas neurológicos nos fetos

Data de criação 23/01/2012

Uma pesquisa recente, coordenada pela especialista Léa Maria Zanini Maciel, médica da Divisão de Endocrinologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP),  revela que 57% das 119 gestantes estudadas na região tinham iodúria abaixo de 150mcg/L. O estudo foi apresentado no Congresso da Sociedade Latino-Americana de Tireoide, em Lima, no Peru, em agosto do ano passado. Além desse levantamento, dados da população nipo-brasileira de Bauru, interior de São Paulo, mostram que 25,3% das mulheres em idade reprodutiva consomem uma quantidade abaixo de 100mcg/L. Publicações similares nos Estados Unidos e em países que até então passavam longe da suspeita de tal deficiência, confirmam a preocupação dos médicos. De acordo com a especialista Laura Sterian Ward, presidente do Departamento de Tireoide da SBEM, a mulher em estado normal deve consumir de 100 a 150 mcg/L diária de iodo. Já a grávida, por sofrer alterações hormonais importantes, que exigem mais da capacidade funcional da tireoide, deve absorver 250mcg/L. Ela explica que a deficiência deste componente tem profundo impacto sobre o desenvolvimento neurológico fetal. As pesquisas apontam que de 5 a 30% dos filhos de mães que sofreram de privação de iodo desenvolvem algum tipo de deficiência mental e, em 1 a 10% dos casos, ela é severa. A médica conta que a arma principal para prevenir tal deficiência é a iodação do sal. Uma vez que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que o brasileiro deve consumir menos sal, embora tal medida seja justificável em alguns casos, em outros, pode ser um desastre, pois a deficiência do iodo em um grupo de grávidas apresenta riscos  no desenvolvimento neurológico do feto. Uma vez que estimativas futuras preveem uma diminuição do consumo deste aditivo alimentar, Laura aponta os polivitamínicos que contenham o iodo em sua composição, como uma alternativa importante. No entanto, faz uma ressalva, nem todos os complementos que as grávidas ingerem no período da gestação são compostos de iodo e os que o contém, possuem uma quantidade que equivale a 60% da medida necessária. Além disso, não há garantias de que irá absorvê-lo em sua totalidade, uma vez que neste período gestacional sofre várias alterações.

A especialista propõe uma medida que acredita ser imprescindível para o controle desse problema: o acompanhamento das dosagens de iodo no período da gravidez.  “Uma das formas de prevenção seria incluir no pré-natal a dosagem de iodo na urina da grávida”, conclui.

 

Atualizada em: 23/01/2012

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    deficiências feto iodo; neurológicas; sal;

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